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Artistas com doenças mentais expõem obras para mostrar a paixão pela arte
Coloridos ou cinzentos, figuras humanas ou paisagens, foram as várias formas que pintores com doenças mentais encontraram para expressar os seus sentimentos, numa exposição de obras de pessoas diferentes unidas pela arte, inaugurada em Cascais.
"Fragmentos d'Arte", patente no Centro Cultural de Cascais, traduz as experiências de vida e sentimentos de cada doente, dando a conhecer os percursos de recuperação com recurso à criatividade e expressão plástica, uma exposição que reúne 14 obras de 10 artistas portadores de doenças mentais e que partilham a paixão pela pintura.
Hélia Soledade tem 48 anos e foi aos 17 que teve a sua primeira manifestação da doença, mas só aos 34 iniciou os internamentos psiquiátricos, reformando-se por invalidez.
Para esta doente, a pintura sempre foi uma paixão e uma forma de estar na vida, referindo que são as artes plásticas que lhe transmitem "beleza e juventude".
"Cresço quando pinto", revela a autora de dois dos 14 quadros presentes na exposição e que actualmente está inserida no Centro de Apoio Social do Pisão (CASP).
Assim como Hélia, também Jorge Meneses teve a sua primeira manifestação da doença aos 16 anos e aos 20 o seu primeiro internamento psiquiátrico, sendo que em 2001 deu entrada no CASP.
Frequentou o curso de desenho artístico na Casa Pia e, para ele, "pintar sempre foi muito importante".
Os momentos mais felizes são retratados nos seus quadros, sublinhando que o desenho moderno e a pintura abstrata são os estilos que mais gosta.
"Beijo Nocturno" e "Maquiavélica", foram os títulos dados por Eugénia dos Santos às suas obras que, diz, mostram a ligação que tem com a arte.
Com 46 anos, Eugénia está actualmente inserida na Associação de Reabilitação e Integração Ajuda (ARIA), que apoia pessoas com problemas de saúde mental e onde tem tido o apoio de técnicos e utentes que a incentivam a pintar e desenhar.
De acordo com a vereadora da Saúde e Ação Social da Câmara de Cascais, Mariana Ferreira, a ideia de expor o trabalho destes artistas "emergiu da constatação de que inúmeras pessoas com doença mental recorrem ao processo criativo ao longo das suas trajectórias de recuperação e de desenvolvimento pessoal".
A exposição estará patente no Centro Cultural de Cascais até dia 16, seguindo depois para a Galeria da Junta de Freguesia de Cascais e para a Biblioteca de S. Domingos de Rana, terminando no Centro de Interpretação Ambiental da Pedra do Sal, onde poderá ser visitada até 3 de maio.
Pesquisado pelo voluntário online Eduardo da Silva Ferreira.
Disponível em: http://www.destak.pt/artigo/53001
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